Havia anos que não ia lá. A fachada era de um novo azul, colocaram rampas que facilitaram o acesso, trocaram os portões. Pensei: como deve ter mudado... Logo depois entrou uma mulher que imediatamente reconheci daquela época. Não havia mudado em nada. E às sete horas, quando abriram o salão, vi que tudo permanecera exatamente igual.
Eu tenho vontades loucas. Fui sozinha dessa vez naquele lugar que eu ia tanto desde a infância. Mas hoje não vi o bando de crianças correndo pra lá e pra cá. Num lugar do qual eu tinha tantas impressões e afeições. E mesmo tendo surgido aquele vento gélido e a ameaça de temporal, adentrei aquele pátio extenso, repleto de lembranças. Revi o parquinho, os corredores e a praça mais linda do que nunca, mesmo com aquele tempo feio, que só realçava ainda mais as cores das flores e da então Branca de Neve e seus anões que coloriram um lugar que sempre fôra apagado. Andei ali naquela atmosfera deserta, num lugar que sempre fôra dedicado ao estudo dos espíritos, e, no entanto, nunca me amedrontara.
Quando voltei pro salão, antes da palestra começar, senti um clima de tensão. Era apenas receio de voltar sozinha pra casa debaixo de um alagamento. Mas a chuva era calma como aquele cenário. Após o passe logo voltei, saberia que seria daquela forma. Sempre houve calma lá em mim.
E presenciar e observar, por mais de uma hora, que de fato, tudo estava igual, apenas eu, eu tinha mudado, ainda sim, notei que não, não mudei, continuava sendo a mesma de antes. Tal como o lugar com meus olhos de adulta; tal como o novo azul que eu enxergava: tão igual e tão diferente. Porque o azul sempre foi o mesmo, mas agora o enxerguei mais forte.

